segunda-feira, 23 de maio de 2011

Boliche de reis

Gente formada, pós-graduada que mal sabe escrever um e-mail, isso porque tem corretor ortográfico no Outlook, mas decerto que alguns não seriam capazes de ativá-lo sem ligar no help-desk. Ai que dó, que dó, que dó dessas fumiguinhas.
Passamos mais tempo com essas pessoas do que com a nossa família ou com quem gostaríamos de estar, não importa, com eles é que não era.
Esse mundo corporativo dá nojo, mas às vezes acontece de prestar, às vezes acontece de ter gente boa querendo gente tão boa quanto, ou até mesmo gente boa disposta a desenvolver gente quase boa, tornando-as boas sem contestação, formando assim muitas coisas boas, e neste caso, eu não deixo de continuar me sentindo um número, mas ainda assim prefiro, porque com gente boa trabalha-se mais, mas se aprende muito, e essa, sem sombra de dúvidas, é a melhor das escolas.
Daí me aparece uma tal de reestruturação, necessária sim, mas não desse jeito, pegando a liderança de uma área inteira e apertando delete, enter.
E não bastou um dia para começar a prostituição (as pessoas se prostituem no trabalho, é o que dizia uma “membra” daquele seleto grupo das boas, que trabalhou comigo e não trabalha mais exatamente porque não quis aceitar o michê), como num passe de mágica as pessoas mudam umas com as outras, e com elas mesmas, e com tudo a sua volta, uma disputa deprimente, morro de vergonha alheia, hipócritas duma figa, - eu faço parte desse mundo, mas me recuso a fazer parte dessa corja. Mato vários deles mentalmente todos os dias, com requintes de crueldade.
Um querendo foder o outro, em todos os sentidos, é gente querendo mostrar mais trabalho pra ganhar vantagem no novo quadro, muitas vezes um trabalho ruim ou feito por outrem. Eu não sou contra quem sabe se destacar e mostra seu trampo, eu faço isso quando dá, mas existe uma coisa chamada ética que é bem parecida com outra coisa chamada honestidade, será que é tão difícil incluir essas coisas nesse mundico? E não estou dando conselhos, não estou me dando bem, sou uma fudida que também pode estar com o pé na caixa econômica por conta dessa tal de reestruturação que está havendo aqui, mas a minha verdade está intacta, preservada e não abro mão, eu mudo de idéia sempre, mas a essência é uma só. Sejamos coerentes né gente?! Façavor.
Um dia vou ter cú pra me livrar desse mundo de trabalhar para os outros, mas hoje não tenho, não posso, tenho contas, casa, filha, não dá pra arriscar, mas ainda assim penso nisso.
E essas piores pessoas, essas que não demonstram quem são e quando você descobre já é tarde, já passou você ou alguém pra trás, elas não tem amigos, um que seja, - também não tenho mil amigos, sou anti-social, não saio de casa por qualquer coisa, sou serva da minha fronha com muito orgulho além de apreciar minha própria companhia, mas tenho amigos, poucos e raros e rasgados. E após uma breve observada nessas fumiguinhas, vi que elas geralmente não têm um amigo sequer, são fumiguinhas sozinhas, que dó, que dó, que dó.
E de repente as referências se foram, senti uma pontinha de “orfãzisse”, e certa tristeza, eram dos bons, lutaram juntos por um objetivo que acabou morrendo antes mesmo de chegar à praia, numa marola qualquer, eu disse tristeza pra não dizer compaixão, mas foi o que verdadeiramente senti, não pela situação financeira dessas pessoas que, sem dúvida nenhuma, é muito mais favorável do que a minha, mas sim pela frustração, pela impotência designada e porque não dizer, pela ingratidão que lhes foi prestada.
Mas eu estava errada, porque hoje, olhando pra isso aqui, eu sinto compaixão sim, por nós, que ficamos.

Link para o vídeo da “fumiguinha”, o mais visto do mês.

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