É bom e desesperador. Um alguém ali que é seu, ao mesmo tempo
que não é, afinal de contas, ninguém é de ninguém. Mas é tão bom perceber que é
seu sim, e que é seu porque quer ser seu, te conheceu direito e mesmo
assim decidiu ser seu.
É difícil se mostrar de verdade pra alguém, não só difícil por
não querer, mas também por não se fazer entender, mostrar as fragilidades e os
podres, é muito foda, dá medo de perder. E é um fato, quando alguém consegue se
fazer entender de dentro, nunca fica como está, ou afasta ou aproxima, eu até
acho que tem mesmo que ser assim, a tal da ação/reação.
Tenho muita sorte, tenho uma relação assim, relação bônus.
Numa fase de críticas implicantes com minhas mudanças,
faça-o-que-eu-faço-e-quero-senão-não-te-aceito, donos da verdade, sou livre e
me sinto assim, desculpa.
E justo nessa fase, a única que teria o direito de estranhar, se
aproxima tanto de mim, de graça, e me conhece cada vez mais, e se mostra cada
vez mais, é simples e certo.
Minha boneca, minha filha, que não tem como premissa julgar as
pessoas, vejo isso em muito marmanjo por aí, ela é de boa, curte as coisas
simples da vida, curte os domingos a la pijama comigo do mesmo jeito que curte
as viagens, uma coisa de pormenores, que desvaloriza coisas grandes, essas
coisas grandes que podem e devem ser desvalorizadas. Apesar da esperteza
acima dos 10 anos dela, tem a sinceridade de criança. Sem dúvida seria quem eu
escolheria para ir comigo pra uma ilha deserta.
Não tenho muitos parâmetros de relações mãe-filhos, uma porque
não tive, e outra porque não concordo com grande parte das relações que
convivo. Sei que não tenho grandes motivos para reclamar da minha, a gente se dá bem, no
mais alto grau do se dar bem. Sou uma mãe apaixonada e cheia de sorte.