domingo, 20 de março de 2011


Ela tem gosto requintado. Gosta de cinema, doce de leite, Bukowski, Raul, patchwork, barba, piercing, marlboro, Janis, sofá, Citybar, cachos, Side Walk, Courtney, Coca-cola, Johnny Depp, Los Hermanos, Bjork, Puket, Almodovar, Woodstock, pacatos, Cash. Nada surpreendente saber que ela gosta de mim.
Sem protocolos, sem blá-blá-blá, sem dedos, sem falsas demagogias baratas, eu sou fã.
Chora quando tem que tomar soro, chora quando assiste aquelas comédias românticas que, convenhamos, borrifam a esperança de qualquer quase-balzaquiana-solteira.
Sofre por um amor que não tem. Homens, atenção, ela está sozinha, avulsa, solteira, alone, encalhada, pega-ninguém, como queiram - anyway - considere esse fato com muito mais afinco caso seja um belo gajo barbudo, de cachos e solteiro, porque eu chuto alto. Vai lá e não vai se arrepender, e não precisa me agradecer. Só não fala muito com ela logo pela manhã e nunca peça um trago do cigarro - e essa parte do cigarro é plágio mesmo (mas não tenho apreço por você, que só dá mancadas. Rá!) 
Quando precisei morar foi normal, natural, necessário. E quando deixei de morar também, o que a torna realmente diferente e enorme, e sei disso com propriedade porque sou uma fudida que já morou muito de favor nessa vida. E quando você sai, anulando todas as chances de pequenices, os pequenos incontrolavelmente sofrem, por isso é sempre tumultuado sair.
Não quero convencer ninguém. Porque sei que ninguém é capaz de genuína e convincentemente descrever alguém quando se ama esse alguém.
Não curto mulher, meu negócio é homem - sabe o vazio a ser preenchido? Então, eu tenho, e ela também. Estranhos que nos vêem sempre juntas, não somos um casal - e vão à merda, e se a gente fosse? Preconceituosos duma figa!
Achei que nunca mais ia parar de chorar (e olha que não sou dessas) quando sonhei que ela tinha morrido. Foi engraçado quando contei do sonho (e olha que sou bem dessas).
As bolinhas, malditas bolinhas, não merecem atenção agora, deixa.
Com ela me protejo do que existe de ruim tentando contaminar o que tenho de bom, que não é muito, mas fica maior convivendo com alguém assim, dono de tudo que julgo essencial num ser humano.
Nossos códigos, nossas caras, nossos flatos, nossos papeles, nossas chinelas iguais, nossas gargalhadas de doer as bochechas, nossas dancinhas, nossos quinze reais, vinte reais, nossos porres, nossa sorte é que nossos cigarros não falam...
Ela sabe que podemos gritar ou ficar mudas ou qualquer outra coisa no meio disso, que continuaremos unidas por uma linha invisível mas extremamente forte. Um imã sem as explicações físicas de um imã.
Ela quase sempre adora minhas coisas, e eu adoro quando ela adora as minhas coisas, porque é tudo de verdade - e se não for, por favor, não me conte porque não aguentaria.
E eu vou pedir que ela fale “tarracha” como só ela sabe, e vou pedir também um autógrafo, porque eu sou fã.